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Os zangões e as mulheres-abelhas




Dentre os fantásticos habitantes de Orokaba, as criaturas da Colmeia são das mais espantosas. Os Zangões e as mulheres-abelhas são seres insetóides, misto de abelhas e humanos e compõem a principal raça que habita o país.

O reino é governado pelas ninfas do mel, criaturas de incrível beleza e de longevidade centenária. Sua origem é controversa, cercada de mitos que se perderam nas brumas da criação, quando Nhanderuvuçu, o grande criador, soprou o dom da vida em corpos moldados de argila, dando origem às diversas raças de homens e bichos.

O principal alimento e riqueza primordial do reino é o chamado Mel das Ninfas, que é produzido pelas incansáveis arapuás. Com cerca de vinte centímetros de uma asa a outra, as abelhas desenvolvem a principal atividade econômica do reino, guiadas por sua rainha, uma criatura de proporções gigantescas que habita o interior da colmeia e que por sua vez é subordinada ao comando telepático das ninfas. Conheça um pouco sobre a Colmeia, o Reino das Ninfas do Mel e suas abelhas gigantes.

Os Seres de Orokaba — episódio 5

Zangões e mulheres abelhas são seres de aparência exótica: as cabeças, totalmente calvas e da testa um par de antenas se desprende do que seriam as sobrancelhas. Nas mãos e pés, apenas quatro dedos longos e finos. Assemelham-se a um misto de ser humano e inseto. Os homens ou zangões, guerreiros natos, são fisicamente muito fortes. Amantes intempestivos, raramente desenvolvem atividades ligadas ao intelecto, o que os diferenciam, além de alguns aspectos físicos, das mulheres de sua espécie, em sua maioria inteligentes e intuitivas. Nos livros da série O Mundo dos Encantados encontramos os seguintes relatos sobre o reino da Colmeia, país onde habitam esses seres:

"Um imenso jardim contornava toda a área do palácio e das suas flores um perfume adocicado e inebriante impregnava o ambiente. Ao longe se notava a presença de diversas construções, aldeias formadas por casas em formato de redoma. Próximo às torres do palácio, que pareciam ser de vidro, altas e pontiagudas, surgia um edifício, imenso e de formato oval, constituído de um material poroso. De suas frestas criaturas aladas partiam e voltavam incessantemente. — São as abelhas da Colmeia, grandes como pequenos pássaros — informou a mulher-abelha que retornara e olhava sorridentemente para o curioso general. O homem observou a mulher com interesse. Para os padrões humanos, poderia não ser classificada como bela, devido às antenas que saiam de sua cabeça lisa e calva e das mãos com quatro dedos. Para ele, no entanto, era uma mulher-abelha das mais lindas que havia contemplado. Trajava uma túnica de um tecido quase transparente que deixavam visíveis seus belos seios e suas pernas esculturais. Nas orelhas, argolas de ouro resplandeciam…"

Em outro trecho é mencionada a intensa atividade que se desenrolava no imenso edifico acinzentado onde era produzido o mel:

"Mesmo para as mulheres abelhas, acostumadas a entrar no setor de produção do mel, havia certo receio. Os insetos estavam agitados desde a partida de Iramaia. O poder das ninfas do mel era o que controlava o reino e sua ausência poderia romper todo o sistema. A bruxa sabia disso. Mesmo com todo seu poder não arriscava entrar no prédio. Lá, além das abelhas coletoras do tamanho de pombos, havia os insetos produtores, grandes como capivaras, e os soldados selvagens do tamanho de homens. Já a abelha rainha, essa era imensa, a última vez em que fora vista deveria medir uns cinco metros. Um verdadeiro monstro!"

A Colmeia era responsável pela produção do mel das ninfas, um alimento muito apreciado em toda a Orokaba, em especial pelo povo guará de Popalla. Como mencionado acima, era o poder das ninfas do mel, passado de mãe para filha, que além de exercer o comando político do reino, acalmava e controla as terríveis arapuás, as abelhas da colmeia, os soldados zangões e as mulheres abelhas. No livro Kulkucaia, a bruxa, as mulheres-abelhas também são mencionadas:

"A princesa apresentou a pessoa que vinha ao seu lado em uma segunda montaria. Uma mulher careca, olhos negros e incrivelmente grandes, trajada em uma veste escura com capuz. Kulkucaia já ouvira falar naquelas criaturas que habitavam a Colmeia servindo à casta das ninfas do mel, e percebeu tratar-se de uma mulher abelha. Geralmente elas são sensitivas e conversam com os espíritos das árvores e com os seres da floresta."

Em A Ninfa e o Príncipe dos Capelobos, novo livro do autor com lançamento previsto para o final de setembro, os seres da Colmeia tem participação garantida na trama. Você conhecerá Iramaia, a soberana do reino e o drama que envolve suas filhas, as ninfas Irani e Irati. A seguir um trecho inédito do capítulo 4 — A bruxa de Guaxupé do livro A Ninfa e o Príncipe dos Capelobos:

4 –A bruxa de Guaxupé

Na ampla sala do palácio, no reino conhecido como a Colmeia, a austera senhora do local, sentada, próxima ao vitral, observava a noite escura, que agora começava a ser tomada por espessa neblina. Com os olhos distantes, Iramaia permanecia alheia a tudo à sua volta. Sua leal conselheira Héstia a observava preocupada. Durante o jantar tudo fizera para desanuviar o semblante da rainha, mas foram tentativas em vão.

— A senhora mal tocou em sua bebida, também deixou a ceia como a servi.

— Agradeço sua preocupação, Héstia, mas o paradeiro de minha filha tem me furtado o apetite, assim como o sono. Já é tarde e não sinto vontade de me recolher a um leito, onde sei que me revirarei a noite toda sem pregar o olho.

— Prepararei um chá de ervas, a senhora precisa repousar. Irani logo estará de volta, acredito veemente.

— Ah, Héstia, Héstia, responsabilidade é tudo o que Irani nunca teve! Mas aceito o seu chá. Vá, ficarei aqui espairecendo um pouco.

Sorriu e a mulher-abelha, baixando respeitosamente a cabeça, deixou apressada o local. A monarca a acompanhou com os olhos. Héstia fora sua preceptora nos tempos de juventude e quando Iramaia, após a morte da genitora, assumira o trono da Colmeia, tornara-se sua leal conselheira. Héstia era detentora de sua total confiança.

Bem, meus caros amigos e leitores, muitos mistérios envolvendo os seres de Orokaba aguardam para serem desvendados. Aqueles que leram Moara, a Princesa dos Incas e Kulkucaia, a Bruxa — que se passa cem anos antes — de certa forma já estão familiarizados com essas criaturas oriundas de um universo criado pelo autor com elementos de nossa cultura original. E por falar em cultura original, agradeço ao comentário que recebi de um de meus leitores, que menciona o seguinte: “O que mais me surpreendeu neste livro de fantasia, foi a pegada com personagens de nossa mitologia. Aqui não tem dragões, nem elfos, mas capelobos, boiuna e homens-guarás! Valorização das tradições e da cultura dos povos originários. Uma leitura enriquecedora!” Diante de tais palavras, o que mais posso dizer senão: muito obrigado!

No próximo episódio de Os seres de Orokaba: Honorato, Cobra Maria e o povo cobra de M'boi . Abraços fraternos. Alexandre Menphis.


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