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Os Homens-guarás

Atualizado: 22 de mai. de 2023


Os Seres de Orokaba- episódio 2


Os homens-guarás habitam uma região de Orokaba situada entre o País dos capelobos e o Reino das ninfas do mel, conhecida como Popalla ou simplesmente Terra dos Guarás. No passado Popalla era um conglomerado de aldeias ou clãs que independentes guerreavam entre si. Coube ao rei Guaru de uma determinada casta unificar o país, quando a ameaça dos capelobos se fez presente. Auxiliados pelos seres de Nhandeara, sob a liderança de Iara, a ninfa das águas, os homens-guarás conseguiram rechaçar a ameaça dos rivais. O rei Guaru consolidou então o Reino dos Guarás, e a antiga aldeia de Popalla tornou-se a sua capital.

Homens-lobos ou lobos humanos? Apesar de apresentarem os corpos como o resultado de uma miscigenação entre as duas raças, os homens-guarás são completamente diferentes dos lobisomens, embora se pareçam fisicamente com estes. Lobisomens são originários de uma maldição, enquanto os homens-guarás são uma raça de seres transmorfos, capazes de moldar seus corpos entre a forma humanoide e a lupina. Na aparência humanoide, eles vivem na maior parte do tempo em suas casas, nas aldeias ou cidades típicas, desenvolvendo as mais diversas atividades sociais. Quando se embrenham na mata, correm livres e destemidos na forma de imensos lobos-guarás.

Também quanto o maior o grau de selvageria, mais peludos tornam-se seus corpos mesmo na forma bípede. Há relatos no livro Kulkucaia, a bruxa sobre homens-guarás completamente selvagens que habitam as hostis paragens da Floresta dos Adormecidos no extremo sul do continente.

Com o advento da unificação política de suas terras aprenderam a conviver pacificamente com outros seres de Orokaba, incluindo as mulheres abelhas da Colmeia, os botos, os homens-jacarés e as ninfas de Nhandeara. Seus inimigos, como já mencionado, são os capelobos, que astutos por natureza, diversas vezes tentaram tomar-lhes o reino e escravizar a sua raça. Também jamais se sentiram confortáveis com os homens-cobras, habitantes do Vale de M’Boi, região vizinha, governada pelo sinistro Boiuna, o pai das cobras.

No livro Kulkucaia, a bruxa é mencionada a existência de uma poderosa feiticeira desse povo, como segue no relato abaixo:

"A mulher, que vinha na retaguarda, era idosa, os cabelos alvos, feito algodão, longos e desalinhados pelo vento. Era magra e tinha o corpo envolto em uma túnica de tecido cru, marrom-escura, que descia até os pés. Os olhos amendoados e as orelhas pontudas denunciavam ser ela uma criatura do povo-guará, espécie de homens-lobos que habitam aquele mundo conhecido por Orokaba."

No livro O Guará, a mesma anciã surge para Potyara, uma jovem da etnia maguta em um de seus sonhos:

"Era uma floresta assustadora, com árvores ressequidas e galhos distorcidos que lembravam, na penumbra, estranhas e aterradoras figuras, como se corpos humanos houvessem sido por algum sortilégio transformados em troncos escuros e aterrorizantes. Potyara caminhava encolhida de frio. Uma névoa preenchia o ar da noite, ocultando formas que pareciam observá-la por entre as árvores e o mato espesso."

"Um brilho em meio à escuridão lhe chamou a atenção. À sua frente, um casebre de palha surgia com a janela e porta abertas. De lá, vinha aquele brilho, como se uma fogueira queimasse em seu interior, exalando um cheiro forte e adocicado. Seguiu atraída àquela choupana. Para seu espanto, uma anciã de aspecto diferente a aguardava na entrada do casebre.

Trajava uma veste grosseira, feita do couro curtido de algum bicho. Os cabelos grisalhos e desalinhados se espalhavam com o vento, ocultando parcialmente seu semblante.

"Potyara ponderou retornar, mas uma voz rouca, porém gentil, serenou seu coração:

— Venha, minha filha, precisamos muito conversar.

Pegando em sua mão, a senhora a conduziu para o interior do casebre. Assustada, Potyara observou que a anciã tinha as orelhas grandes e o rosto parecendo um misto de mulher e lobo-guará.

— Não se assuste, está entre amigos. — Sua voz parecia ter o dom de lhe acalmar.

A mulher a chamou para se sentarem num banco de toras próximo ao fogão à lenha, que exalava um calor reconfortante naquela noite tão fria.

— Escuta e atente as minhas palavras. Você não pode permanecer na aldeia dos seus tios. Sua vida corre perigo.

— Não entendo! Quem é você, e onde estou?

— Meu nome é Gargália, e sou uma amiga. Você está sendo perseguida pelo Guará-Akanga, um ser malévolo da Floresta dos Adormecidos."

— Mas, o que posso fazer? Ajude-me!

— Acalme-se, estou aqui para isso, mas você precisa me ouvir e saber quem está enfrentando. Guará-Akanga é fruto da união de um demônio com uma bruxa guará. Ele herdou os poderes de seu pai, enveredando pelo caminho da maldade. Durante muito tempo foi caçado, até ser morto e enterrado na Floresta dos Adormecidos, um lugar amaldiçoado. No entanto, seu espírito maligno recusou-se a deixar o mundo dos viventes e atraído por um homem perverso, passou a compartilhar o corpo com ele. Na noite de lua cheia, a besta assume o corpo de seu hospedeiro, mas com o nascer de um novo dia, retorna às trevas de onde veio."

Acompanhe no livro O Guará, essa intrigante narrativa sobre Potyara e seu terrível algoz, o demônio conhecido por Guará Akanga.

Em Kulkucaia, a Bruxa como já mencionado, e em Moara, a Princesa dos Incas o primeiro volume de uma série intitulada O Mundo dos Encantados, os homens-guarás estarão muito presentes e alguns personagens dessa raça, como Guaraú e Gargália terão presenças determinantes nos desfechos de alguns arcos.

Em nosso próximo encontro falaremos um pouco sobre os assustadores mapinguaris.

Até breve. Abraços fraternos.

Alexandre Menphis.



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